escuelas de samba























11/02/2009 20h26

Semana passada, na quinta e sexta-feira, aconteciam as Llamadas em Montevideo. Trata-se de um desfile de carnaval ao som do candombe (ritmo de tambores que se originou com os escravos, bastante forte na cultura daqui), e é um dos maiores eventos do carnaval mais longo do mundo.
Por esses dias eu ainda estava no hostel, no bairro de Palermo - onde as coisas acontecem. Havia um terraço alugado na esquina da Carlos Gardel com a Carlos Quijano e os hóspedes podiam assistir ao desfile de lá pela módica quantia de US$50 (sim, US de dólares, não U de pesos uruguaios), que incluía uma cerveja e "picada tradicional". Por fim, decidi que seria um investimento no tcc e, com uma nota a menos na carteira, fui até a tal esquina para procurar a casa com o terraço.

Já passava das 20h30, horário marcado para o início do desfile, e as calçadas da Isla de Flores (que a partir da intersecção com a Quijano se torna Carlos Gardel) estavam completamente compactadas com gente e mais gente. Eu, Tonetti e Ju tentamos passar para chegar à frente da casa (que supunhamos ser a certa, já que dali não podíamos ver o número), mas era impossível. Vi garotas dançando com fantasias de zebra por entre as vigas da arquibancada e fomos embora, sem fotos.

Ontem no fim da tarde saí de casa para encontrar a Maria (amiga da Má que conheci na França e que está me ajudando muito por aqui) no Centro Cultural de España para a inauguração de uma exposição. No caminho, vi cadeiras enfileiradas pela extensão da 18 de Julho, até a Praça da Independência (onde o trânsito já estava bloqueado); só podia ser evento de carnaval. Na volta da inauguração, nos deparamos com as concentrações em volta da praça: era o Desfile Oficial de Escuelas de Samba. Eu saquei a câmera e, a Maria, seu celular. Foi por pouco tempo, já que a Maria tinha que ir para casa e eu tinha que voltar antes da Martu porque estava com as chaves do apartamento. Mas, de graça, rendeu algumas fotos legais.

p.s.: rolou à distância um cd com "em fevereiro (em fevereiro) tem carnaval (tem carnaval), eu tenho um fusca e um violão..."




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09/02/2009 - 3h07

Depois de uma semana de chuva, faz sol e muito calor em Montevideo. E depois de uma semana de crise entre o hostel em uma "área de delinquência" (segundo o taxista), quase voltar ao Brasil e o hotel com café da manhã praticamente na beira da praia... ouço o barulho dos carros na 18 de julho pela janela gigantesca de um apartamento de vó com uma luz estupenda, habitado por uma estudante uruguaia de pedagogia que conheci por uma amiga de uma amiga. Tenho dulce de leche e iogurte conaprole na geladeira, El País na banca da esquina e um modem 3G plugado no notebook. Ou seja: it's gonna be alright.

Martu, minha nova roomie, dá gargalhadas na sala com a senhora que veio ajudar com a limpeza - e que me deu uma barrinha de cereal, como se fosse pirulito para uma criança no consultório do pediatra. Cada vez me convenço mais de que os uruguaios são todos lindos. Aos poucos vou me lembrando por que escolhi estar aqui, por que quis passar cinco semanas colecionando e registrando cada pedacinho do cotidiano dessa cidade que há quatro anos me encantou com suas paredes, ruas e construções, e que hoje me encanta com suas pessoas.

Na verdade, é agora que começa a parte frio-na-barriga: eu, a câmera, os montevideanos e a cidade. E esse apartamento que me enlouquece todo dia com a luz da tarde.
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