O celeiro ao fim*



















(thanks, google images)


Em 2006, quando viajei de carro com a minha família pelo Uruguai, paramos em um posto e meu pai perguntou ao frentista se as estradas são sempre assim, tão vazias. "É, não tem muita gente aqui", respondeu ele, referindo-se à pequena população do país. Isso agora me faz pensar: se houvesse uma vaca se candidatando à presidência ela teria a eleição ganha, considerando que a população bovina do país é o dobro da humana.

Esse deve ser o motivo pelo qual tudo que vem da vaca é sensacional aqui. Um dia na semana passada me comprometi a passar as 24h sem uma colher de doce de leite. É claro que cinco minutos depois encontrei o resto de uma palmita rellena (dois biscoitos de massa folheada, que no Brasil eu chamo de sola, com doce de leite no meio) que tinha comprado na confitería 25 de mayo. Depois disso ainda comprei medialunas (croissants) no Tata para comer com o dulce de leche Conaprole que está na geladeira. É melhor que alfajor, por incrível que pareça.

Foi também em 2006 que experimentei os iogurtes da Conaprole - que é a fábrica de laticínios mais conhecida aqui. Já teve época de comprarmos leite Conaprole em casa, em Rio do Sul, mas nunca tinha visto os outros produtos deles. O iogurte natural é o melhor do universo! Ele é batido com açúcar, por isso mantém o gosto e a textura do iogurte integral mas dá pra comer puro como sobremesa. Poucas horas atrás decidi parar de comprar pudins e cremes industrializados e comer só esse iogurte (que vem numa mini caixinha igual às americanas de leite). Isso foi bem quando raspei as últimas colheradas da embalagem, então por compulsão tive que atacar os Danettes de Dulce de Leche. Deus! Eles têm gosto de doce de leite DE VERDADE, e do DAQUI! Percebi que não ia poder viver uma vida só de laticínios saudáveis.

Ainda não me aventurei muito pelo mundo dos queijos, mas o cremoso da Conaprole é muito bom também. É verão, então não pretendo comprar couros. Já sobre o churrasco, preciso dizer: a carne pode ser de primeira qualidade, whatever, mas pra mim o tempero é a alma do negócio - e ele não foi o forte da parrilla. No mercado del puerto há vários restaurantes e quero testar outros. Mas só daqui a algum tempo, porque a comida pode ter pouco sal, mas os preços estão um tanto além do meu bolso de estudante/tccente. Mas, como tempero não vem da vaca, a regra não foi quebrada.


*... de nosso mandato. Uma vaca presidente me fez lembrar do conto da Karen Russell que saiu na primeira Granta em português (a traduzida).
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